O governador do Cláudio Castro (PL) afirmou que não irá conceder a recomposição salarial aos servidores estaduais neste momento, alegando que a medida seria financeiramente inviável diante da atual situação fiscal do estado.
A declaração foi feita durante entrevista concedida nesta quinta-feira (5) aos jornalistas presentes em um evento no Município de Saquarema. Segundo o governador, o estado enfrenta atualmente um déficit estimado em cerca de R$ 19 bilhões, resultado de compromissos financeiros acumulados e frustração na arrecadação de receitas importantes para o orçamento estadual.
De acordo com Castro, R$ 14 bilhões desse déficit estão relacionados à renegociação da dívida com a União, enquanto outros R$ 5 bilhões seriam consequência da queda na arrecadação de royalties do petróleo.
— Eu não cedi até agora e não vou ceder — afirmou o governador durante a entrevista.
Situação fiscal do estado
O governador argumentou que o governo precisa tomar decisões baseadas na responsabilidade fiscal para garantir o funcionamento da máquina pública e a manutenção dos serviços essenciais.
— Hoje a gente tem que fazer uma escolha. Ou trabalha com responsabilidade fiscal ou não paga salário. A gente precisa atender 16 milhões de pessoas e manter o estado funcionando — declarou.
Castro afirmou ainda que reconhece as reivindicações dos servidores e considera a recomposição salarial uma demanda justa, mas avaliou que, no cenário atual, conceder o reajuste representaria risco às contas públicas.
— Eu entendo o direito do servidor, respeito, é justo e digno. Mas hoje seria uma irresponsabilidade fiscal conceder esse aumento — disse.
Segundo ele, em momentos anteriores, quando as contas do estado permitiram, o governo concedeu recomposições salariais. No entanto, a atual realidade financeira exigiria cautela.
— Quando o estado permitia, nós demos recomposição. Hoje não dá. E eu não vou quebrar o estado por causa disso — afirmou.
Possível saída do governo
Durante a entrevista, Cláudio Castro também confirmou que pretende deixar o governo em abril para disputar uma vaga no Senado Federal, movimento que já vinha sendo comentado nos bastidores da política estadual.
Apesar da negativa atual, o governador afirmou que, caso a situação financeira do estado melhore, a recomposição salarial poderá voltar à pauta.
— Se a situação melhorar e tiver dinheiro, a primeira coisa que vamos fazer será recompor o servidor — declarou.
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