Profissionais da saúde de Rio das Ostras realizaram, na manhã desta quinta-feira, uma manifestação em frente à Prefeitura para contestar a mudança na escala de plantão da categoria. O movimento reuniu servidores municipais e representantes sindicais, que demonstraram preocupação com os impactos da nova jornada de trabalho.
Antes do início formal do ato, o presidente do sindicato, Elias, acompanhado por representantes das categorias, tentou abrir diálogo com o Procurador-Geral do Município, Dr. Renato Vasconcelos. No entanto, a comitiva não foi atendida nesta data, sendo agendada uma reunião para a próxima segunda-feira, às 11h, quando o tema deverá ser discutido entre as partes.
O movimento também contou com o acompanhamento institucional do gabinete da deputada estadual Lilian Behring, que enviou um representante para observar o andamento da mobilização e das tratativas entre servidores e o poder público municipal.
Mudança na escala levanta questionamentos sobre carga horária contratual
A principal reivindicação dos servidores envolve o entendimento de que a nova escala de plantão, que altera o regime de 24 horas de trabalho por 96 horas de descanso (24/96) para 24 horas de trabalho por 72 horas de descanso (24/72), ultrapassa a carga horária semanal de 40 horas prevista nos editais dos concursos públicos pelos quais os profissionais foram contratados pela Prefeitura.
De forma complementar, representantes da categoria também questionam o fato de a alteração ter sido implementada sem o aviso prévio mínimo de 30 dias, o que, segundo os servidores, teria dificultado a adaptação dos profissionais à nova rotina de trabalho.
Possível impacto administrativo e financeiro
Representantes dos servidores alertam que a ampliação da carga horária pode gerar efeitos administrativos e financeiros para o município. Entre as preocupações levantadas estão possíveis custos adicionais relacionados a pagamento de horas extras, adicionais noturnos e eventuais passivos trabalhistas.
Especialistas em gestão pública apontam que mudanças em regimes de escala exigem avaliação criteriosa, considerando não apenas a necessidade operacional, mas também o equilíbrio financeiro e a segurança jurídica da administração.
Reflexos na qualidade do atendimento
Outro ponto destacado durante a manifestação envolve os possíveis impactos da nova escala na saúde física e emocional dos profissionais e, consequentemente, na qualidade do atendimento prestado à população.
O trabalho na área da saúde envolve elevado nível de responsabilidade, exposição constante a situações críticas e necessidade de tomadas rápidas de decisão. Servidores argumentam que a redução do período de descanso pode comprometer a recuperação dos profissionais, aumentando o risco de desgaste ocupacional, afastamentos médicos e queda no rendimento operacional.
Estudos sobre saúde ocupacional indicam que jornadas prolongadas e períodos insuficientes de recuperação podem contribuir para o aumento do estresse e da fadiga, fatores que podem refletir diretamente na assistência ao paciente.
Ampliação do quadro funcional é apontada como alternativa
Durante o movimento, representantes da categoria defenderam que a ampliação do quadro de profissionais, com a contratação de técnicos de enfermagem e enfermeiros, pode representar uma alternativa mais equilibrada para garantir a continuidade dos serviços sem sobrecarregar os servidores.
Segundo os profissionais, o reforço no efetivo permitiria melhor distribuição das escalas, redução do desgaste ocupacional e maior estabilidade no atendimento à população, além de representar uma solução mais sustentável a médio e longo prazo para o sistema municipal de saúde.
Categoria aguarda reunião e não descarta paralisação
Apesar da tentativa de diálogo, representantes sindicais afirmam que a mobilização continuará acompanhando o andamento das negociações. A reunião marcada para segunda-feira (9), deverá discutir os impactos da mudança e possíveis alternativas para a categoria.
Os profissionais afirmam que, caso não haja avanço nas tratativas ou revisão da medida, não está descartada a possibilidade de paralisação ou greve.
Espaço aberto para posicionamento oficial
O Conexão Lagos permanece com a porta aberta para manifestação da Prefeitura de Rio das Ostras sobre a alteração na escala, seus fundamentos técnicos e eventuais medidas previstas para garantir a continuidade e qualidade do atendimento à população.
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