A travessia da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), na altura do distrito de Tamoios, em Cabo Frio, tem sido motivo constante de preocupação para moradores da região. A ausência de semáforos em trechos considerados críticos vem sendo apontada pela população como um fator de risco, principalmente nos horários de maior fluxo de veículos.
Segundo relatos de moradores, comerciantes e trabalhadores locais, a dificuldade para atravessar a via afeta diretamente o cotidiano da comunidade, expondo crianças, idosos e famílias a situações perigosas, especialmente nas proximidades do antigo Hospital de Tamoios (SEAD).
Atualmente, há um semáforo nas proximidades do ginásio poliesportivo e outro em um ponto mais distante da rodovia, criando um intervalo considerado extenso entre os dispositivos de controle de tráfego. Nesse trecho intermediário, apesar da existência de faixas de pedestres, moradores afirmam que a travessia depende quase exclusivamente da atenção e da tentativa de encontrar brechas no fluxo intenso de veículos.
Moradores relatam rotina de risco
Para quem vive ou trabalha na região, atravessar a rodovia tornou-se uma tarefa que exige cautela constante. Pais relatam preocupação com a travessia de crianças que frequentam escolas e atividades esportivas. Idosos também enfrentam dificuldades, principalmente devido ao tempo reduzido para cruzar a pista com segurança.
Com o crescimento populacional e o aumento da circulação de veículos, moradores afirmam que a situação tem se agravado ao longo dos anos. Em horários de pico, a travessia pode levar vários minutos, elevando o risco de acidentes.
Especialistas defendem planejamento semafórico em áreas urbanizadas
Estudos de mobilidade urbana e segurança viária indicam que, em trechos urbanos de rodovias com grande fluxo de pedestres, a instalação de dispositivos de controle de tráfego deve considerar fatores como densidade populacional, volume de veículos e histórico de acidentes.
Manuais técnicos de engenharia de tráfego, como os utilizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), indicam que, em áreas urbanizadas, o espaçamento entre pontos seguros de travessia costuma variar conforme o fluxo local, podendo ser reduzido para garantir maior proteção ao pedestre.
Especialistas ressaltam que a presença de faixa de pedestres sem sinalização semafórica, em rodovias com tráfego intenso, tende a reduzir a efetividade da travessia segura, especialmente quando há grande volume de veículos em alta velocidade.
Comparativo com outros centros urbanos da Região dos Lagos
Moradores também destacam diferenças na distribuição de semáforos quando comparado a outros centros urbanos da Região dos Lagos. Em áreas centrais de Rio das Ostras, por exemplo, há maior presença de dispositivos semafóricos ao longo das vias com grande circulação de pedestres, o que contribui para organizar o fluxo e ampliar a segurança.
Macaé apresenta modelo semelhante em regiões de maior densidade urbana, com semáforos instalados em pontos estratégicos que facilitam a travessia da população.
Na própria cidade de Cabo Frio, bairros centrais contam com maior concentração de sinais de trânsito. Entretanto, moradores apontam que distritos como Tamoios, Unamar e Aquarius ainda apresentam lacunas na infraestrutura viária voltada à segurança do pedestre, especialmente em trechos de expansão urbana acelerada.
Crescimento urbano e aumento da demanda por segurança viária
O distrito de Tamoios vem registrando crescimento populacional expressivo nos últimos anos, acompanhado pelo aumento do comércio, da circulação de trabalhadores e da expansão de áreas residenciais. Esse desenvolvimento, segundo moradores, não tem sido acompanhado na mesma velocidade por melhorias estruturais no sistema viário.
Especialistas em mobilidade destacam que regiões em expansão urbana exigem atualização constante do planejamento de trânsito, justamente para evitar que o crescimento populacional aumente o risco de acidentes e comprometa a segurança da população.
Debate envolve prevenção e qualidade de vida
A população local reforça que o debate vai além da mobilidade urbana. Trata-se de segurança pública, prevenção de acidentes e preservação de vidas, especialmente de crianças, idosos e trabalhadores que dependem da travessia diária da rodovia.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que intervenções preventivas costumam ser mais eficazes — e menos onerosas — do que ações reativas após a ocorrência de acidentes graves. Em regiões com crescimento populacional acelerado, como Tamoios, o planejamento viário passa a ser uma ferramenta essencial para garantir desenvolvimento com segurança.
Diante desse cenário, cresce entre moradores a expectativa por medidas concretas que acompanhem a expansão urbana e a intensificação do fluxo de veículos na Rodovia Amaral Peixoto.
A equipe de reportagem do Conexão Lagos entrará em contato com a Prefeitura de Cabo Frio para que a administração municipal possa se manifestar sobre a existência de estudos técnicos, levantamentos de fluxo ou projetos previstos para ampliar a sinalização semafórica e reforçar a segurança viária na região de Tamoios.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos oficiais. Afinal, quando a mobilidade segura se torna um desafio diário, o debate público deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a ser uma pauta diretamente ligada à qualidade de vida e à proteção da população.
