“Você que lute!”
Essa é a sensação que cresce entre moradores da Região dos Lagos diante da postura adotada por parte das administrações municipais frente às sucessivas falhas no fornecimento de energia elétrica e água, justamente em plena alta temporada.
Enquanto prefeituras como Arraial do Cabo, Cabo Frio e Iguaba Grande vêm se posicionando publicamente, divulgando informes, firmando parcerias com o Procon e, inclusive, marcando datas específicas para atendimento direcionado aos moradores prejudicados, outras prefeituras adotam um discurso burocrático, distante da realidade de quem ficou dias sem serviços básicos.
É preciso deixar claro: ninguém espera que a prefeitura opere redes de energia ou água. Mas a omissão política diante de serviços essenciais falhos também é uma forma de responsabilidade ou de abandono.
Prejuízos econômicos e desgaste social
Os impactos vão muito além do desconforto doméstico. Hotéis, pousadas, bares, restaurantes, mercados e prestadores de serviço acumulam prejuízos significativos. Isso afeta diretamente a arrecadação municipal, o emprego e a imagem turística das cidades.
A indignação cresce porque os chamados representantes da população, prefeitos, vereadores e parlamentares, foram eleitos exatamente para cobrar, intermediar e pressionar, inclusive quando os contratos das concessionárias são de responsabilidade federal ou estadual.
A concessão pode ser da União ou do Estado, mas o problema acontece no município. E o município não pode se omitir.
O caso de Saquarema: ausência prática do Procon
Em Saquarema, cidade que cresce de forma acelerada e recebe milhares de turistas ao longo do ano, não existe um posto do Procon em funcionamento. O município conta apenas com a Ouvidoria Municipal, que não possui atribuição legal para atuar diretamente na defesa do consumidor frente às concessionárias de serviços essenciais, como energia elétrica e abastecimento de água.
Além da ausência de um posto fixo, não houve sequer a formalização de um acordo emergencial com o Procon para a realização de atendimentos específicos à população afetada, nem mesmo ações pontuais, como mutirões em praças, escolas ou espaços públicos, prática adotada por outros municípios da região. Na prática, moradores prejudicados pela falta de luz e água ficaram sem apoio presencial, sem orientação direta e sem um canal municipal efetivo para buscar seus direitos.
A leitura feita por muitos internautas após a divulgação da nota oficial da Prefeitura foi direta e contundente:
👉 “Você que lute pelos seus direitos.”
Quando há reação, há sinal político
Em contraste, o poder público de Rio das Ostras anunciou nesta terça-feira (6) que aplicará multa e notificará os órgãos competentes pelo péssimo serviço prestado nos últimos dias. É um sinal claro de que o município entende que não pode ser espectador passivo.
Já a concessionária de energia, a Enel, segue afirmando que estava preparada para o verão, que os eventos estavam dentro das previsões e que a estrutura seria suficiente, discurso que entra em choque com a realidade vivida por moradores e comerciantes da região.
Fiscalizar, cobrar e proteger também é governar
Prefeituras não podem se limitar a dizer “não é nossa responsabilidade”.
Governar também é pressionar, intermediar, acolher o cidadão e criar caminhos reais para que ele busque seus direitos, especialmente quando se trata de serviços básicos como luz e água.
Quando isso não acontece, a mensagem que fica é simples, dura e revoltante:
👉 “Você que lute.”
E é exatamente esse sentimento que hoje ecoa entre moradores da Região dos Lagos.
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