A saúde pública de Rio das Ostras vive um momento que demanda respostas objetivas e planejamento consistente por parte do poder público. Apuração realizada pelo Conexão Lagos, com base em relatos de usuários do sistema e profissionais da rede municipal, revela um conjunto de gargalos estruturais, operacionais e administrativos que afetam diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população.
No Hospital Municipal de Rio das Ostras, um dos principais problemas identificados é a insuficiência de leitos hospitalares, fator que dificulta internações e provoca a permanência prolongada de pacientes em unidades que não possuem perfil adequado para esse tipo de atendimento. A esse quadro soma-se a precariedade da infraestrutura física, com enfermarias onde sistemas de climatização não funcionam de forma adequada, comprometendo o conforto e o bem-estar dos pacientes internados.
A situação é agravada pela sobrecarga enfrentada pelos profissionais de saúde, que atuam sob pressão constante, com equipes reduzidas e jornadas prolongadas. Segundo a apuração do Conexão Lagos, são recorrentes as queixas relacionadas a atrasos no pagamento de salários e ao não pagamento integral de horas extras, cenário que gera insegurança financeira, desmotivação e impacto direto na rotina de quem sustenta o funcionamento da rede pública de saúde.
Também foram relatadas condições inadequadas de trabalho, incluindo áreas de descanso precárias para profissionais que cumprem longos plantões. A situação é considerada incompatível com o grau de responsabilidade, complexidade técnica e exigência física inerentes às atividades desempenhadas no ambiente hospitalar.
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Rio das Ostras, o cenário é igualmente preocupante. Projetada para atendimentos de urgência e emergência, a unidade mantém atualmente pacientes internados por períodos prolongados. De acordo com relatos colhidos, essa distorção ocorre em razão da falta de leitos disponíveis no hospital municipal e no pronto-socorro, comprometendo o fluxo assistencial e ampliando o tempo de espera para novos atendimentos emergenciais.
Outro aspecto considerado crítico na UPA de Rio das Ostras diz respeito ao uso inadequado de espaços assistenciais. De acordo com a apuração do Conexão Lagos, há pacientes permanecendo por longos períodos na própria sala de medicação, em condição equivalente à internação, prática que contraria protocolos assistenciais e normas sanitárias. A situação se torna ainda mais preocupante pelo fato desses pacientes não estarem acomodados em macas, mas em cadeiras, o que compromete a segurança, a dignidade do atendimento e o acompanhamento clínico adequado, especialmente em casos que demandam observação contínua.
A apuração também identificou episódios de escassez de materiais básicos na rotina hospitalar e um ponto sensível relacionado ao transporte de pacientes. Atualmente, apenas uma ambulância estaria disponível para atendimento na UPA, o que limita a capacidade de resposta em situações de emergência e nas transferências para outras unidades.
Diante desse conjunto de fatores, profissionais da área e especialistas ouvidos defendem a necessidade de uma reorganização estrutural da saúde municipal. Entre as medidas apontadas estão a ampliação do número de leitos, investimentos contínuos em infraestrutura, regularização dos pagamentos, valorização dos profissionais e aprimoramento da gestão dos recursos disponíveis.
O Conexão Lagos irá encaminhar os questionamentos ao prefeito Carlos Augusto e ao secretário municipal de Saúde, Fábio Simões, solicitando esclarecimentos sobre os projetos previstos para ampliação de leitos hospitalares, os investimentos em infraestrutura e manutenção das unidades, a regularização do pagamento de salários e horas extras, a reposição de materiais, a melhoria da frota de ambulâncias e as medidas planejadas para reduzir a sobrecarga da UPA.
O espaço permanece aberto para manifestação oficial da Prefeitura de Rio das Ostras.
O Conexão Lagos chega a Rio das Ostras para informar, dar voz à população e atuar como ponte entre o cidadão e o poder público.
