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quinta-feira, 4 junho, 2026

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SÃO PEDRO DA ALDEIA — Criança com braço fraturado recebe imobilização improvisada em unidade de saúde e caso levanta questionamentos sobre atendimento público

Um episódio ocorrido em São Pedro da Aldeia expôs fragilidades no atendimento da rede pública de saúde do município. Uma criança que fraturou o braço após cair enquanto andava de skate no Centro da cidade deixou uma unidade de pronto atendimento com uma imobilização improvisada feita com papelão, situação que gerou indignação entre familiares e levantou questionamentos sobre a estrutura e a assistência oferecida.

De acordo com relatos da família, após o acidente o menino foi socorrido e levado à unidade de saúde por uma viatura da Polícia Militar, na tentativa de garantir atendimento imediato. No local, a criança realizou exame de raio-x, que confirmou a fratura. No entanto, os responsáveis foram informados de que não havia ortopedista disponível para avaliação naquele momento.

Diante da ausência do especialista e da falta de material adequado, os profissionais de saúde realizaram uma imobilização provisória utilizando papelão, como forma emergencial de estabilizar o membro até que fosse possível um atendimento definitivo. O procedimento, no entanto, causou preocupação à família, que relatou insegurança quanto aos riscos e ao desconforto enfrentado pela criança.

O engessamento adequado só ocorreu no dia seguinte, já no pronto-socorro do município. Até então, segundo os familiares, a criança permaneceu com dores e apreensão, enquanto buscavam a assistência que deveria ser imediata em casos de fratura, especialmente em pacientes pediátricos.

Após avaliação posterior, um ortopedista apontou que a condução inicial do atendimento não seguiu o protocolo considerado ideal para esse tipo de ocorrência. Segundo o especialista, a imobilização provisória pode ser utilizada apenas por curto período e com o objetivo de transferência do paciente para uma unidade adequada, ressaltando que, dependendo do tipo de fratura, a demora ou o manejo inadequado pode gerar complicações e até sequelas permanentes.

— Dependendo da fratura, pode haver risco de dano definitivo. A imobilização provisória deve ser feita apenas para remoção imediata para um local com estrutura adequada — explicou o médico.

Em nota, a Fundação responsável pela administração da unidade informou que a UPA de São Pedro da Aldeia não dispõe de atendimento especializado em Ortopedia e que o caso será apurado com rigor e agilidade. A manifestação oficial, no entanto, não diminui o impacto do episódio, que reacende o debate sobre a falta de especialistas, insumos e estrutura adequada na rede pública de saúde.

O caso evidencia um problema recorrente enfrentado por moradores: a precariedade no atendimento em situações que exigem resposta rápida e especializada. Em episódios como este, o improviso acaba substituindo o cuidado adequado, e quem sofre as consequências é a população — especialmente crianças, que dependem de atendimento seguro, imediato e eficaz.


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