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quarta-feira, 3 junho, 2026

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Passaporte de Eliza Samudio é encontrado em Portugal 15 anos após o crime

Quinze anos após o assassinato de Eliza Samudio, um novo elemento voltou a levantar questionamentos sobre um dos crimes mais emblemáticos do país. Um passaporte original da vítima, emitido em 2006, foi encontrado no fim de 2025 em um apartamento alugado em Portugal e entregue nesta segunda-feira (5) ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que confirmou a autenticidade do documento e informou ter comunicado o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.

Segundo informações apuradas, o passaporte foi localizado em uma estante com livros, dentro de um apartamento compartilhado. O morador que encontrou o documento, identificado apenas como José, relatou que retornou ao imóvel após um período fora a trabalho e se deparou com o passaporte por acaso. Ele afirmou não saber como o documento foi parar no local e preferiu não apontar responsáveis.

O passaporte é verdadeiro, não possui segunda via emitida e está em bom estado de conservação. O documento foi expedido em 9 de maio de 2006, com validade até 8 de maio de 2011, e contém apenas um carimbo de entrada em Portugal, datado de 5 de maio de 2007, sem qualquer registro oficial de saída do país ou nova entrada em outro território.

A descoberta chama atenção porque há registros, imagens e provas de que Eliza esteve no Brasil após essa data, onde ocorreu o crime. O corpo da vítima nunca foi localizado. À época, Eliza chegou a relatar em entrevistas que havia viajado para Portugal e Alemanha e mencionou um suposto relacionamento com o jogador Cristiano Ronaldo, informação que nunca foi confirmada oficialmente.

O documento foi entregue pessoalmente ao consulado, que informou, em nota, que aguarda orientações do Itamaraty sobre os próximos procedimentos. O órgão esclareceu ainda que consulado e embaixada atuam de forma independente em território português.

Quatro pessoas já foram condenadas ou confessaram envolvimento direto ou indireto no sequestro e assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010, em território brasileiro:

  • Bruno Fernandes

  • Luiz Henrique Romão

  • Marcos Aparecido dos Santos

  • Jorge Luiz Rosa

Apesar das condenações, o surgimento do passaporte fora do país levanta novas dúvidas sobre a circulação do documento após o crime.

A família da vítima ainda não se manifestou oficialmente sobre a descoberta. À época do assassinato, o crime ainda não era tipificado como feminicídio, classificação que só passou a integrar a legislação brasileira anos depois.


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