RIO DE JANEIRO — Uma mulher denunciou à polícia o uso indevido de inteligência artificial após ter uma foto pessoal manipulada digitalmente para aparentar nudez, sem qualquer autorização. O caso foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia, na Zona Sul do Rio, como registro não autorizado de intimidade sexual.
A vítima, Julie Yukari, relatou que a imagem original foi feita no dia 31 de dezembro, quando posou ao lado de sua gata. Após a virada do ano, ao acordar, percebeu que perfis em uma rede social haviam solicitado a geração de imagens falsas, alteradas por uma ferramenta de IA, fazendo com que ela aparecesse nua e em poses sexuais.
Segundo Julie, a manipulação utilizou sua imagem de forma depreciativa, sem consentimento, causando impacto direto em sua reputação. Diante da repercussão, ela registrou ocorrência policial e afirmou que os responsáveis serão identificados.
“Boletim de ocorrência registrado. Em breve a gente descobre a identidade desses criminosos”, escreveu a vítima.
A plataforma X informou à usuária que a conta responsável pela solicitação da manipulação foi removida por violar as regras do serviço. A empresa e a vítima foram procuradas para comentar o caso.
Debate sobre crimes digitais e IA
O episódio reacende o debate sobre o uso ético da inteligência artificial, a proteção da imagem, especialmente de mulheres, e a responsabilização criminal por conteúdos íntimos falsos — prática conhecida como deepfake sexual. Especialistas alertam que esse tipo de material pode configurar crime, mesmo quando gerado por sistemas automatizados, já que viola direitos fundamentais da pessoa retratada.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar os responsáveis pela criação e solicitação das imagens falsas.
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