A Sapucaí voltou a respirar aliviada. Em meio à expectativa pelos ensaios técnicos do Carnaval 2026, a decisão que exigia a retirada de ingressos por aplicativo durou pouco. Após a reação imediata do público, a Liesa recuou e anunciou que o acesso aos ensaios seguirá gratuito e sem necessidade de ingresso digital, resgatando um dos princípios mais simbólicos do Carnaval carioca: o caráter popular da festa.
A mudança foi comunicada nesta sexta-feira, no mesmo dia em que começam as apresentações das escolas na Marquês de Sapucaí. Em vez do aplicativo, o controle de acesso passa a ser feito por catracas, permitindo o monitoramento do fluxo de pessoas em tempo real. Quando a capacidade de um setor for atingida, a entrada poderá ser temporariamente suspensa, sendo liberada novamente conforme o público deixe o local.
A exigência do ingresso digital havia sido anunciada como uma tentativa de organizar melhor o acesso e evitar superlotação, diante do crescimento do público nos últimos anos. No entanto, a medida gerou forte repercussão negativa, especialmente nas redes sociais. Muitos frequentadores apontaram dificuldades no uso do aplicativo, instabilidades no sistema e a exclusão de pessoas que não têm familiaridade com tecnologia.
Diante das críticas, a Liesa afirmou ter reavaliado a decisão após ouvir o público e consultar os órgãos de segurança. Em nota, a entidade reforçou que o objetivo sempre foi garantir segurança e conforto, sem descaracterizar os ensaios como um evento popular. O aplicativo oficial do Rio Carnaval seguirá ativo como canal de informação, mas deixa de ser obrigatório para a entrada.
Para quem já havia emitido o QR Code, nada muda: ele continua válido e pode ser utilizado normalmente. Já novas retiradas pelo aplicativo foram encerradas.
A decisão foi recebida como uma vitória simbólica por sambistas e frequentadores assíduos da Sapucaí. Mais do que um ensaio, esses encontros são o primeiro contato entre escola e avenida, entre comunidade e público. São noites em que o Carnaval começa antes da hora livre, coletivo e pulsando no mesmo ritmo do samba.
Porque, no Rio de Janeiro, quando o portão da Sapucaí se abre, o Carnaval precisa ser para todos.
