Um grave caso de intolerância religiosa chocou moradores de São Pedro da Aldeia no fim da tarde desta sexta-feira (12). O Ilê Alákétu Àṣẹ Alada Méjì, terreiro de matriz africana localizado no Parque São Vicente, no bairro Parque Arruda, foi completamente destruído durante um ato de depredação que abalou a comunidade religiosa e vizinhos da região.
O espaço sagrado, liderado pelo Bàbálórìṣà Felipe, estava em fase avançada de construção quando foi alvo do ataque, ocorrido por volta das 17h. Segundo o líder religioso, materiais da obra foram quebrados, objetos sagrados desapareceram e todos os assentamentos dos Orixás foram destruídos, incluindo aqueles pertencentes aos filhos e filhas de santo da casa.
O prejuízo estimado ultrapassa R$ 200 mil. Mais do que as perdas materiais, o Bàbálórìṣà destacou o impacto espiritual e emocional causado pela destruição do terreiro, classificando o episódio como um ataque direto à fé, ao axé e à ancestralidade.
Mesmo diante da dor, o líder religioso deixou uma mensagem de resistência:
“Ogum há de abrir meus caminhos.”
De acordo com ele, além da destruição do espaço, membros da casa religiosa relatam medo e insegurança. Há informações de que responsáveis pelo terreiro estariam recebendo ameaças, o que aumentou a apreensão sobre possíveis novos ataques.
O caso foi registrado na 125ª Delegacia de Polícia de São Pedro da Aldeia, que instaurou investigação para identificar os autores e apurar a motivação do crime. Até o momento, ninguém foi preso.
O episódio reacende o debate sobre intolerância religiosa, crime previsto em lei, e reforça a necessidade de ações efetivas de proteção à liberdade religiosa, ao respeito às manifestações culturais e à convivência entre diferentes crenças na Região dos Lagos.
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