Há 100 anos indo além de unir margens, a Ponte Feliciano Sodré, um dos principais patrimônios culturais e históricos de Cabo Frio, foi reverenciada nas comemorações de seu centenário. Sobre o Canal do Itajuru, a construção da Ponte, inaugurada em 14 de julho de 1926, foi lembrada com uma cerimônia de valorização das raízes cabo-frienses. Durante toda a terça-feira (14), a programação cultural ocupou o calçadão às margens do canal.
A cerimônia oficial de celebração do aniversário reuniu inúmeras manifestações culturais. No ato também foram encerradas a gincana de pintura livre e o concurso municipal de poesia, ambos com o centenário da ponte como temática. A programação contou ainda com shows, sarau de leitura, exposição de artesanato e mais. Durante a tarde, dezenas de canoas havaianas repletas de praticantes da modalidade ocuparam as águas com uma remada coletiva, passando sob a ponte com sinalizadores festivos.
O secretário municipal de Cultura, Carlos Ernesto Lopes, destacou a funcionalidade e a importância da Ponte, muito além de unir bairros e margens cabo-frienses.
“A Ponte Feliciano Sodré é um elo, um marco na história de Cabo Frio, vem há cem anos cumprindo a função de levar pessoas e aproximar bairros, de unir histórias e emoções. A Ponte nos ligou e nos trouxe para esse momento especial de celebrar cem anos de existência, em uma união de trabalho para valorizarmos nossas raízes e histórias cabo-frienses, preservando o passado para que seja sempre lembrado em nossa terra”, disse.
Representando o legislativo cabo-friense, o vereador Alfredo Gonçalves, autor da lei municipal que institui as comemorações do centenário da Ponte, celebrou a emoção de viver a data marcante.
“Eu, como cabo-friense, nascido e criado aqui, me alegro em vivenciar esse momento. Hoje vemos imagens de cem anos atrás e daqui a muito tempo pessoas verão quadros e outros registros que retratam para a eternidade esse momento centenário. A Ponte tem uma importância para Cabo Frio como sinônimo de elo e de valorização histórica, precisamos enaltecer o nome da nossa cidade, o nome mais bonito de todos. É uma felicidade poder estar aqui. Cabo Frio me deu a vida, aqui formei minha família e pude colocar no papel, enquanto vereador, essa lei que marca o centenário. Viva Cabo Frio, viva a Ponte Feliciano Sodré”, finalizou.
Ao cair da noite, um novo momento de emoção chamou a atenção dos presentes. A centenária e aniversariante Ponte Feliciano Sodré foi completamente apagada e uma apresentação musical de sax foi realizada no ponto alto da estrutura, com um foco de luz central que dava todo o protagonismo para a estrutura que por anos foi a ponte com maior vão livre de todo o Brasil.
Trazendo prática esportiva e bem-estar para as comemorações, o dia foi iniciado com uma aula coletiva de yoga e finalizado com o “Corre da Ponte”, corrida que partiu do bairro Gamboa, atravessou a Ponte e foi encerrada próximo à Estátua do Pescador, reunindo centenas de corredores.
Saiba mais sobre a Ponte Feliciano Sodré:
Inaugurada em 1926 em estilo arquitetônico arrojado, após o desabamento da ponte de ferro, a Ponte Feliciano Sodré tratava-se do maior vão livre do Brasil na época, o que permitia a navegação dos veleiros de sal pela sua parte central.
Durante muito tempo, a estrutura foi a única entrada e saída rodoviária da cidade. Em meados da década de 50, o Governo do Estado do Rio de Janeiro levantou um aterro e construiu uma ponte no Baixo Grande – antiga “passagem dos Tupinambá”, criando novo acesso rodoviário a Cabo Frio e Arraial do Cabo.
Em 14 de Julho de 1926, sem convidar o então Prefeito Anastácio Novellino, o Governador Feliciano Sodré, acompanhado de comitiva estadual, inaugurou a estrada Cabo Frio – São Pedro da Aldeia e a ponte de cimento armado que foi batizada em sua homenagem. Suportando o peso de até seis toneladas, os veículos passavam cada vez em uma direção.
Em outubro de 1982, com os avanços e a necessidade de expansão viária, a Ponte Feliciano Sodré passa a ter o trânsito em mão dupla, promovendo melhor integração e mobilidade no fluxo de veículos.
