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quinta-feira, 4 junho, 2026

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Mudança de Escala em Rio das Ostras Acirra Revolta de Servidores e Expõe Situação Crítica na Saúde Municipal

A sessão extraordinária da Câmara Municipal de Rio das Ostras, que aprovou a possibilidade de adoção da escala 12×36 para servidores em regime de plantão e delegou aos secretários municipais o poder de definir a jornada de trabalho em suas pastas, desencadeou forte reação entre os servidores, especialmente entre profissionais da saúde, que já atuam no limite físico e emocional.

Para médicos, técnicos, enfermeiros e demais trabalhadores do setor, a decisão chega em um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Muitos relatam rotinas exaustivas, acúmulo de plantões, horas extras frequentes e, o ponto mais sensível: horas extras trabalhadas que não estariam sendo devidamente pagas, mesmo com registro de ponto. A sensação predominante entre esses profissionais é de desvalorização e falta de reconhecimento, em um cenário onde o esforço excede o retorno financeiro e institucional.

A possível substituição da escala 24×72 pela 12×36 é vista por categorias da saúde como um agravante direto dessa crise. Enquanto o modelo atual, apesar de desgastante, permite um período maior de recuperação, a nova proposta tende a reduzir o intervalo de descanso e ampliar o cansaço acumulado. Especialistas alertam que profissionais exaustos significam maior risco de falhas, queda de rendimento e impacto direto na qualidade do atendimento à população.

A polêmica se intensifica quando a mudança é analisada em paralelo a outras decisões recentes do Legislativo municipal, como a criação de novas secretarias, cargos comissionados e a autorização para um empréstimo de 100 milhões. Servidores questionam a prioridade dessas medidas em um contexto onde unidades de saúde relatam carência de recursos, falta de leitos nas unidades de emergência e pronto-atendimento, equipes reduzidas e demandas crescentes. Para muitos, o contraste entre ampliação da estrutura administrativa e dificuldades enfrentadas por setores essenciais revela um desalinhamento de prioridades.

A preocupação não se restringe à saúde. Profissionais da Guarda Civil Municipal também demonstram receio quanto aos impactos da nova escala, apontando que jornadas mais apertadas podem comprometer não apenas o desempenho operacional, mas também a segurança dos próprios agentes e da população atendida.

Outro ponto de tensão é a descentralização total da decisão sobre a jornada, agora nas mãos de cada secretário. Servidores temem critérios subjetivos, falta de padronização e possíveis distorções entre secretarias, criando ambientes de insegurança jurídica e desigualdade interna.

Diante desse cenário, representantes do funcionalismo defendem que o caminho para melhorar o serviço público não está no aumento da carga sobre quem já trabalha no limite, mas sim na contratação de novos profissionais, regularização de pagamentos pendentes e investimentos estruturais reais. A aprovação das medidas, longe de encerrar o debate, tende a ampliar a mobilização de categorias e a pressão social nos próximos dias.

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