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quarta-feira, 3 junho, 2026

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Sem água na torneira, mas com cobrança no boleto: moradores denunciam medição de ar no hidrômetro na Costa do Sol

Moradores da Região da Costa do Sol vivem um cenário que mistura indignação, revolta e sensação de abuso. Em meio a dias e em alguns casos semanas, sem uma única gota d’água nas torneiras, consumidores relatam que o hidrômetro continua girando, registrando consumo de algo que não chega às casas: água.

O caso não é isolado. O próprio redator do Conexão Lagos está vivenciando a situação. Com o abastecimento interrompido desde o final do ano passado, o registro foi mantido aberto, prática comum e recomendada para que o imóvel seja abastecido assim que a água retorne. No entanto, ao verificar o hidrômetro, veio a surpresa: o marcador havia avançado dois metros cúbicos, mesmo sem qualquer fornecimento efetivo.

Antes da última leitura, não havia caído uma única gota. Ainda assim, o consumo foi contabilizado. O que passou pelos canos, ao que tudo indica, foi ar.

Um problema que se repete

Após o relato, outros moradores entraram em contato com a redação informando situações idênticas: torneiras secas, caixas d’água vazias e hidrômetros registrando consumo mínimo, ou até acima do mínimo, durante o período de desabastecimento.

A pergunta que ecoa entre os consumidores é direta:

Por que pagar uma tarifa mínima que garante até 10 metros cúbicos de água se, quando a água é necessária, ela não chega, e o que entra no sistema é apenas ar?

Cobrança indevida e possível ilegalidade

Especialistas em direito do consumidor apontam que a cobrança por ar é abusiva e ilegal. O hidrômetro existe para medir volume de água, não de ar comprimido circulando na rede. Quando isso ocorre, o consumidor não pode ser responsabilizado por uma falha estrutural do sistema de abastecimento.

O Código de Defesa do Consumidor é claro ao determinar que cobranças indevidas devem ser devolvidas em dobro, salvo engano justificável. Além disso, há entendimento jurídico de que o consumidor pode:

  • Registrar reclamação no Procon

  • Solicitar revisão de fatura e aferição do hidrômetro

  • Entrar com ação judicial para ressarcimento em dobro

  • Pleitear indenização por danos morais, especialmente quando a cobrança ocorre em meio à privação de um serviço essencial

A discussão sobre a medição de ar nos hidrômetros já foi tema de ações judiciais e debates legislativos, justamente por configurar falha na prestação do serviço.

Serviço essencial, respeito mínimo

Em plena alta temporada, com calor intenso e cidades superlotadas, faltar água já é grave. Cobrar por algo que não foi fornecido agrava ainda mais a situação e aprofunda a desconfiança da população em relação às concessionárias responsáveis pelo abastecimento.

O Conexão Lagos segue acompanhando os relatos, reunindo denúncias e cobrando explicações. Se você também está passando por esse problema, registre, fotografe o hidrômetro, guarde as contas e denuncie.

📢 Serviço público se presta com água na torneira, não com ar no cano e conta no bolso do morador.

👉 Envie seu relato ao Conexão Lagos. Sua denúncia ajuda a dar voz a quem está sendo prejudicado.


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